Escolha uma Página
Pontos de reflexão:
1 – Diferenças sociais, pobreza, desemprego, …

No Brasil temos 12% de desempregados – com a Corona vírus iremos para 15 milhões de pessoas que querem trabalhar e não conseguem. O governo quer criar postos de trabalho para que os desempregados possam trabalhar e ganhar o seu salário. Para isso a economia precisa crescer – o PIB deve crescer – cada 1% de crescimento do PIB gera x empregos (?). Crescer significa encontrar ou criar mais demanda. Que demanda?

Mais crescimento significa mais produção e consumo, que faz o dinheiro circular e reduzir a taxa de desemprego e o nível de pobreza. Entretanto o crescimento com maior produção e consumo, significa também mais demanda por matéria prima, insumos, petróleo, energia, água, etc. Esses recursos vêm da terra, que já está acima do seu limite de tirar isso de “suas reservas”. Também significa mais lixo, mais CO2 e mais poluição, que a terra não é capaz de absorver.

Conclusão: A solução para a questão de pobreza e diferenças sociais via emprego, implica em aumentar produção e consumo, que demanda mais recursos naturais da terra e que leva a maior grau de inviabilidade do meio ambiente se manter saudável.

2 – A base para se ganhar um salário

Na sua forma inicial, o trabalho era remunerado com base no valor que a pessoa gerava, reconhecido por quem utiliza o produto ou serviço. Com o tempo, a partir da revolução industrial, um outro fator – o capital – entrou como elemento que cria valor. Capital em forma de máquinas, de tecnologia e de sistemas. O capital também gerava automatização, que evoluiu até que fábricas inteiras produzissem com pouquíssimos trabalhadores. A renda gerada na maior parte se destinada para o dono do capital, que com isso dava novos passos de investimentos e inovação técnica.

Outro elemento que fortemente influenciou a relação entre remuneração e o trabalho foi e é a capacidade intelectual do trabalhador. Quanto mais ‘formado’ maior a sua remuneração. Hoje o nível do salário é determinado pelo tempo dedicado (ganho por hora, mês, etc.) e pelo valor da contribuição (braçal, gerencial e/ou técnico). A tendência é que cada vez menos este modelo vai poder dar um meio de vida para a grande maioria dos trabalhadores.

3 – Fluxo de Dinheiro no âmbito do governo.

A fonte principal de recursos para o governo (País, estados e municípios) são os impostos. Os impostos dependem da manutenção e do crescimento da economia. O governo nos 3 âmbitos, fomenta o crescimento da economia para obter mais recursos via impostos e taxas, mas ano após ano, faltam recursos e o déficit cresce, apesar da lei de responsabilidade fiscal! O INSS gera um enorme déficit anual para pagar os benefícios e aposentadorias. O déficit é financiado por dívida interna, que só aumenta ano após ano, ou seja, a dívida é eterna.

Esta situação agrava em situações de crise, quando o governo federal “injeta” recursos para os estados e municípios sobreviverem, para as empresas não fecharem, para o povo ter um mínimo de renda para sobreviver. Na atual crise se estima que governos gastam em recursos extra de 5% do PIB!

4 – O ‘milagre’ do crescimento da China.

Em 30 anos a China se transformou de um país atrasado, que quase não tinha nenhum peso no mundo, para a segunda maior potência econômica do mundo. Ela vinha crescendo a taxas entre 6% e 12% ao ano!! Ela investiu durante anos em infraestrutura, na capacidade de produção, no desenvolvimento da tecnologia, no poderio militar, etc.. Isso não somente dentro do seu país, mas também em diversos pontos do mundo (um porto marítimo em Sri Lanca, uma base militar em Djibouti e um aeroporto em Toulouse). Com que dinheiro ela fez isso? O fato de ser um país totalitário, que concentra todo o poder no partido comunista e no seu presidente Xi Jiping explica parcialmente o ‘milagre’, mas continua a pergunta: quem está pagando por isso? Como é financiado? Talvez inicialmente o próprio povo Chinês, mas pode ser que mais para frente a conta será paga por países que se tornarem dependentes da China.

5 – O que é dinheiro?

Originalmente o dinheiro era um meio de troca, que substituiu a troca com mercadorias. Inicialmente cada moeda ou bilhete tinha como lastro uma quantia de ouro ou outro metal, guardado em algum lugar do mundo. Posteriormente este lastro ficou por um bom tempo vinculado aos Dólares americanos, mas desde os anos 50 ele deixou de existir. Hoje o valor é artificial e resultado dos grandes fluxos financeiros existentes no mundo, tanto de governos como por fundos e instituições.

Um outro aspecto é que bancos e governos tem a possibilidade de ‘imprimir dinheiro’ – não mais como antigamente pela ‘casa da moeda’, mas simplesmente pelos bancos por emprestar dinheiro, que é um ato virtual de um lançamento contábil ou por aumentar a dívida eterno pelos governos, sem captar empréstimo no mercado. Os governos estabelecem regras e critérios para este jogo que é guardado pelos bancos centrais de cada país. Isso faz com que economias fortes consigam aproveitar mais das mais fracas. Explica também o ‘milagre’ da China onde governo e banco central buscam atender esse objetivo.

As principais questões que o modelo atual não consegue resolver:

  1. 1 – A desigualdade social, a fome e a miséria no mundo somente crescem, apesar de todos os esforços feitos.
  2. 2 – A sobrevivência do planeta, as mudanças climáticas, a poluição, os recursos naturais, a manutenção de flora e fauna e a questão da disponibilidade de água.

Estamos num paradoxo e num dilema e o atual modelo político-econômico não consegue lidar com isso.

Uma tentativa de enxergar elementos para um novo modelo.
1 – Renda Mínima

Os governos adotam políticas para que as necessidades das pessoas possam ser atendidas. De um lado e visto de forma extrema: pleno emprego, pessoas ganhando salários suficientes para poder comprar e pagar todas as necessidades que têm na vida: alimento, habitação, educação, saúde, cultura, lazer, etc.

De outro lado e visto de forma extrema: o governo oferecendo serviços e condições que atendam ao mínimo necessário de todos: cesta básica, moradia, educação, saúde pública, cultura, lazer, etc. Diversos países têm criado boa parte deste segundo modelo: um sistema público de educação de qualidade, de saúde para todos, apoio e facilitação para casa própria. Estes países também contam com um serviço social capaz de assegurar a renda mínima dos grupos necessitados. Alemanha e Suécia são bons exemplos, mas enfrentam sérias dificuldades para financiar este modelo. Outros países têm focado mais no ‘pleno emprego’ como EUA e deixam as pessoas livres de se virar para atender às suas necessidades, mas deixando pessoas na miséria.

Porém, de modo geral não há uma solução para o crescente número de pessoas que ficam a margem da sociedade como desempregados, simplesmente pelo fato que o mundo não precisa mais deles, ou pelo fato que o pleno emprego requer crescimento da economia que vai além das necessidades dos consumidores e que leva a destruir mais ainda o meio ambiente, colocando em perigo a sobrevivência do planeta.

Existem países que fizeram um teste em alguma parte do país, pagando uma “Renda Mínima” mensal às famílias de por exemplo de R$ 3.000,00. O raciocínio é que com este dinheiro, todos venham a poder consumir pelo menos o que é necessidade básica. Além disso este dinheiro entra na economia e gera por sua vez produção e serviços, não supérfluos, mas necessários.

2 – O que é necessidade básica? O que a terra consegue absorver?

Gerar emprego através de crescimento em geral vai contra o que a terra consegue absorver.

Onde está o caminho?

Uma boa tentativa é o modelo “Do-nut” de Katy Rawthorn. Ela trouxe uma imagem bem simples, sugerindo que o modelo econômico deve atender a dois parâmetros:

  1. 1 – A economia deve atender minimamente a todas as necessidades básicas das pessoas.
  2. 2 – A economia deve respeitar o nível máximo que a terra aguenta para ela sobreviver.

Como princípio é bem simples, mas resta a pergunta: como vai funcionar na prática?

Com a perspectiva do – ‘como vai ser pós crise Corona vírus’, a prefeitura de Amsterdam divulgou uma matéria dizendo que quer adotar o modelo para orientar o desenvolvimento da cidade daqui em diante.

3 – Quando uma necessidade é básica? Como entra no pensamento empresarial?

Abraham Maslov é bem conhecido pelo conceito da “pirâmide das necessidades básicas”, distinguindo 5: Sobrevivência, Segurança, Pertencimento, Reconhecimento e Realização. Este conceito foi ampliado e complementado por outros pensadores. Manfred Max Neef distingue entre ‘Needs’ (necessidades básicas) e ‘Satisfyers’ (satisfatores).

As necessidades básicas são 9 e universais – comuns a todas as pessoas: subsistência, proteção, afeto ou amor, participação, compreensão, ócio, criação, identidade e liberdade. Os Satisfyers são formas em que os Needs são satisfeitos e são diferentes para cada ser humano. Uma outra abordagem interessante é o de Sai Baba, que enumera 5 Valores Humanos Universais: Amor, paz, verdade, ação correta e não violência.

Kate Rawthorn no modelo de DONUT traz uma proposta do piso mínimo e do teto máximo os quais todo sistema econômico deve respeitar. No piso mínimo, o alicerce social, a economia deve cuidar de 12 aspectos essenciais para o bem-estar humano: alimento, saúde, educação, renda e trabalho, paz e justiça, voz política, igualdade social, igualdade de gênero, habitação, redes, energia e água. O teto máximo é o ecológico.

Estas necessidades básicas são amplamente reconhecidas, porém entram muito pouco nos modelos econômicos. No máximo formam, parcialmente, uma base para um programa social de um país. Na esfera das empresas, elas servem como orientação para uma política interna de pessoal, e/ou empurrados para a ‘periferia’, nos programas e atividades de ‘responsabilidade social’. Geralmente elas não ‘cabem’ dentro de um pensar estratégico e na atividade central das empresas por uma razão bem simples: as empresas são forçadas a serem regidas pela necessidade de sobrevivência financeira e se comportam assim no meio das concorrências.

4 – E o futuro? De onde parte uma nova ordem econômico social?

Tenho pouca confiança que o novo surge a partir dos órgãos existentes: políticos e econômicos. Estes estão totalmente aprisionados na ordem atual que busca soluções tradicionais que tem como base o crescimento econômico e as leis atuais. Sei que mudança deve ser precedida por consciência. Uma consciência não somente dos fatos observáveis, mas também das consequências que estes geram no futuro. Esta consciência pode depois ser aprofundada e ampliada. Os meios de comunicação podem ajudar nessa ‘tarefa’.

A partir da consciência, vem as iniciativas práticas que são tomadas ao redor do mundo, e uma interação entre estes tomadores de iniciativas. Talvez os formadores de opinião podem intensificar. Esta consciência ampliada pode reconhecer e buscar novos hábitos e consumo.

Será que neste momento as empresas e movimentos sociais acordam para esta questão?

Hermanus Meijerink.

 

 

Share This