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Pensamos que somos seres livres, fazendo as nossas escolhas sempre conscientes! Mas observando bem o nosso comportamento podemos descobrir que nem sempre – ou até talvez quase nunca – as nossas escolhas realmente são feitas a partir de uma decisão consciente e de forma livre.

O que nos tira a liberdade? O que está nos mantendo presos e nos impede a tomar decisões plenamente autônomas?

O ser humano, no início da sua vida, ainda não é capaz de fazer as suas escolhas e fica totalmente dependente do ambiente em que se encontra: a mãe, a família, a vizinhança. Todas as suas necessidades básicas precisam ser atendidas por pessoas de fora: alimentação, proteção, segurança, etc. Na medida que cresce, a criança aprende primeiro pela imitação do seu entorno. Ela começa a absorver o seu meio e desenvolve as suas referências e os seus valores. Depois o seu ambiente se amplia: a vizinhança, a escola, a sociedade, a mídia, …

Assim o jovem se orienta inicialmente e aprende a se comportar na sociedade, seguindo os hábitos e regras de convivência. Na adolescência ele começa a questionar e se confrontar com tudo que está em sua volta na tentativa de definir e formar sua própria referência para a sua conduta. É uma busca de deixar aparecer o seu “Eu” diante de tantos outros ‘eus’. Mas o que forma este “Eu”, que já absorveu tantos valores aprendidos ao longo da sua trajetória de vida? Antigamente existiam diversos parâmetros externos: a cultura, os hábitos, as igrejas, as filosofias, as escolas, que forneciam um referencial do certo/errado, do verdadeiro/mentira. Estas fontes de referência não são mais reconhecidas na formação do ser humano. Hoje em dia o jovem e também o adulto devem criar para si o seu próprio referencial.

Mas a partir do que ele faz isso? Me parece que para isso existe somente uma fonte no ser humano: a sua própria essência interior.

Entretanto, esta essência interior está escondida debaixo de um enorme conjunto de valores aprendidos ao longo da vida e que inconscientemente nos orientam nas ações. Estes valores são alimentados e reforçados diariamente sem que nos damos conta disso. Se tornam as “Forças do Ego que agem como se fosse um ditador sobre o indivíduo desatento” (Carlos S Andriani). Estas forças são tudo que vive em nós como crenças e verdades, como convicções, como pré-conceitos, como simpatias e antipatias. Vivem também nos sentimentos e emoções que nos invadem constantemente sem que os percebemos, mas que influenciam nosso agir. Vivem ainda nas reações impensadas e nas ações impulsivas.

Portanto, é grande o desafio para poder acessar nossa essência interior e torna-la a fonte da nossa vida. Em primeiro lugar é preciso criar consciência do que nos ocupa e nos domina. Sem esta autoconsciência não é possível criar uma conexão com a essência interior e desenvolver um Domínio Pessoal, capaz de fazer escolhas livres. É disso que Jung fala quando ele diferencia entre o Ego e o Self. Quando o Ego ocupa todo o espaço do indivíduo, o Self fica adormecido e em estado latente e o indivíduo fica sem domínio sobre si mesmo.

“Se o indivíduo já apresenta sinais de domínio pessoal, o resultado será a des-identificação com o Ego, caminhando para uma liberdade sem limites” (Carlos S Andriani).

Holambra 21 de junho de 2019
Hermanus J Meijerink

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