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Na gestão de uma organização e no decorrer da nossa vida, somos constantemente chamados a tomar decisões, seja em momentos de crise, seja em momentos de estabilidade e crescimento.

Sempre que fazemos uma escolha, alteramos o nosso futuro, ou, dito de outra forma, é fazendo escolhas que trazemos o futuro para o presente. Um exemplo bem simples: quanto o nosso futuro tende a ser afetado quando escolhemos uma profissão? Ou mesmo a cidade em que queremos morar?

Tomar boas decisões não é uma coisa fácil. Nós não acertamos sempre. Por isso, devemos estar atentos àquilo que nos faz acertar mais.

Boas decisões podem afetar muita gente

Reflita comigo: qual foi a última grande decisão que você tomou? Quando foi? Que impacto ela teve na sua vida? Na vida de quem mais essa decisão teve efeitos importantes?

No lugar de dirigentes e líderes, há decisões que tomamos e afetam somente a nós mesmos e as pessoas próximas de nós. Porém, há também decisões que tomamos e que afetam muito mais gente a longo prazo.

Talvez seja nosso dever perguntar: quanto somos capazes de tomar decisões que tragam o máximo de consequências positivas e o mínimo de negativas para as pessoas e para a vida neste planeta?

Quase sempre poderemos avaliar as nossas decisões a posteriori, pelas suas consequências, se estivermos dispostos a olhar para elas. Essas consequências das escolhas podem funcionar como um espelho: elas refletem algo de nós mesmos e podem nos ajudar a evoluir se tivermos a coragem necessária para olhar para elas com cuidado.

3 dimensões presentes num processo decisório

No dia a dia, nem sempre é possível decidir bem, por diversas razões: a decisão foi apressada, certas informações não foram consideradas, ficamos bitolados em um certo conjunto de alternativas, as conversas foram confusas, a pergunta decisória estava mal formulada, havia muitas divergências presentes e, eventualmente, nem nos demos conta que estávamos tomando uma decisão. As justificativas são conhecidas.

Após muitos anos de prática no campo do desenvolvimento organizacional, estou convencido que a qualidade das decisões que tomamos está intrinsecamente relacionada à qualidade do processo decisório.

Na minha visão, quanto mais importante a decisão, mais necessário é cuidar do processo decisório. Para isso, facilita distinguir três aspectos do processo decisório:

  1. O conteúdo: as informações, as opiniões, os fatos, os dados, as ideias, as alternativas e as perguntas essenciais para uma boa decisão. Tomar decisões com base em boatos e achismos é bem diferente de tomar decisões com uma visão abrangente e segura da situação.
  2. O clima entre as pessoas: É muito diferente tomar decisões num clima de companheirismo do que num clima de conflito. O clima entre as pessoas se refere à qualidade da interação entre elas e faz parte do processo decisório.
  3. O procedimento: uma decisão é um processo e vai passar por etapas, seguirá uma direção e terá regras. Todo processo decisório requer clareza sobre quem vai decidir, como, quando e com o que.

Essas três dimensões se afetam mutuamente e merecem respeito rigoroso quando a decisão vai envolver mais de uma pessoa. Subestimar uma delas tende a comprometer a qualidade da decisão em alguma medida.

4 dicas para decisões de qualidade

Tendo isso em mente, sugiro que você dê atenção a quatro coisas bem simples nas decisões do dia a dia:

  • Consulte outras pessoas. Peça informações, levante pontos de vista e faça perguntas que as faça pensar. Existem muitos meios de ouvir as pessoas hoje em dia, do WhatsApp à conversa presencial e à distância. Uma boa consulta antes evita surpresas depois.
  • Invista em preparação, especialmente se a decisão será tomada com outros. Para um grupo tomar uma grande decisão é preciso que ele esteja preparado para isso. Um grupo preparado tomará a decisão mais fácil e mais poderosa.
  • Informe as decisões. Crie momentos e formas de as pessoas ficarem sabendo das decisões e poderem fazer perguntas. Se você não informar, as pessoas ou não vão saber ou vão interpretar e fantasiar, gerando confusões.
  • Avalie as consequências. Olhe para os efeitos das decisões tomadas, tanto antes quanto possível. Convide outras pessoas para agregar informações e pontos de vista e para refletir junto. Utilize bons métodos que ajudem a aprender com a experiência.

Aos poucos, escolher, empreender e aprender podem se tornar parte da cultura e, conforme isso ganhar consistência, mudanças e evolução virão a se tornar parte da história da sua organização.

Espero que você dê mais atenção a como acontecem os processos decisórios na sua organização e tire proveito disso. Acredito que podemos rapidamente passar a viver num mundo melhor por cuidarmos melhor dos processos decisórios nos quais nos metemos.

Quando puder, converse sobre isso com alguém!

Grato!

Antonio Luiz de Paula e Silva
IMO Brasil
Junho de 2020

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