Somos seres sociais por essência, pela origem, por necessidade. Desde tempos bem remotos, muitas espécies de seres vivos perceberam que viver em comunidade garantia uma chance maior de sobrevivência diante das muitas incertezas do ambiente. Com os seres humanos não foi diferente. Desde a força das primeiras estruturas familiares, aprimoramos nossos modelos de trocas e de compartilhamento de recursos, habilidades e conhecimentos. Percebemos que “é necessária uma tribo para criar um ser humano. A evolução, assim, favoreceu aqueles capazes de formar fortes laços sociais”(1). Esta característica está impressa em nosso ser. Basta percebermos que não temos ou somos individualmente o bastante para superar uma ameaça.

Nos dias atuais estamos todos, em escala planetária, diante do maior desafio de sobrevivência econômica que a sociedade tenha experimentado nas últimas décadas. Eventos de crises financeiras particulares são bastante comuns e fazem parte da dinâmica que observamos em nosso mundo. Entretanto, a experiência que estamos vivendo terá uma amplitude, um alcance geográfico e uma dimensão temporal maior do que podemos prever e assim rapidamente estaremos diante de uma situação onde inevitavelmente perceberemos: não sobreviverei a este evento sozinho.

Este cenário felizmente coloca em risco o individualismo e o egocentrismo. A experiência nos mostra que nesse contexto haverá tendência natural favorável às diversas formas de comunidades. Teremos que novamente aprender a conviver para sobreviver e isso não significa renunciar à própria individualidade pois afinal “na comunidade vive a força da alma individual”(2). Diante deste quadro, temos que redescobrir o significado de cooperar e de compartilhar generosamente nossas habilidades e recursos. Ir além das fronteiras da família e da comunidade interna das nossas empresas.

Como criar um ambiente de confiança que permita e viabilize as trocas e os encontros necessários?

Precisamos perceber o nosso entorno pois estamos inseridos num momento marcante da nossa história moderna. Acredito que podemos nos apresentar como parte do caminho, parte da solução, parte de uma alternativa que contribuirá para que todos consigam superar e crescer com a essa experiência. Afinal, como disse um poeta, “quem perdeu o trem da história por querer, saiu do juízo sem saber, foi mais um covarde a se esconder, diante de um novo mundo”(3). Precisamos promover o encontro, criar o ambiente necessário para que as trocas aconteçam com confiança e generosidade. Este é o nosso desafio.

Coragem.

Luiz Henrique Almeida Diniz
Maio de 2020

 

1. Yuval Noah Harari, “Sapiens - Uma breve história da humanidade”

2. Rudolf Steiner, “Motto der Sozialethik” ou “Lema da ética social”

3. Beto Guedes, “Canção do Novo Mundo”
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