Na última 4a feira, dia 6/2/2019, tive o prazer de participar do 1º Happy Hour & Gestão, promovido pela Estação 446, em Santa Cruz das Palmeiras (SP). Foi bem especial ouvir a Thaísa e o Batista, sócios neste empreendimento, falar do processo de implementação das Unidades de Gestão Básica (UGB’s) com o apoio de IMO Brasil e os próprios colaboradores poderem se colocar. Thaísa relatou que era dentista de profissão, que aprendeu com a avó a gostar de cozinha (o que acabou gerando o Estação 446), dizendo que “quase morria louca, porque tinha que resolver tudo; tudo dependia dela”: desde o cardápio, o estoque, as compras, contratação de garçons, etc, etc, que hoje vem sendo assumidas autonomamente por quem trabalha em cada área, através das UGB’s, para as quais os próprios envolvidos definiram nomes chamativos, como: 0º Inovação (a UGB que cuida, entre outros, dos frios que precisam ficar armazenados a 0º), Arsenal do Olimpo (cuidar dos preparativos necessários para o cliente se sentir nos céus...), etc. Já Batista, seu sócio neste empreendimento, comentou que sempre teve para si um ideal: o de poder compartilhar o conhecimento (o que vai na contramão da tendência atual: quem tem algum conhecimento a mais, o guarda a “sete chaves”, porque é a este conhecimento que deve a sua posição; p.ex. o cozinheiro que conheceu em outra organização, que fazia comidas bem especiais, mas não dividia seu conhecimento com ninguém, por medo de assim perder sua posição). “Afinal, concluiu ele, outras pessoas só tem como se desenvolver a partir do conhecimento ou experiência acumulada por aquela pessoa”. A Estação 446 precisava de bons garçons? Promoveram um Curso de Formação para Garçons, aberto à participação de colaboradores do próprio buffet e ao público em geral. A Estação 446 precisava de boas decoradoras em arte floral? Promoveram um Curso para Floristas! Conclusão: hoje a Estação 446 tem os melhores garçons e floristas, que no depoimento das próprias pessoas- “nem imaginavam que seriam capazes de fazer tão bem!”.

A Estação 446 precisava de bons garçons? Promoveram um Curso de Formação para Garçons, aberto à participação de colaboradores do próprio buffet e ao público em geral. A Estação 446 precisava de boas decoradoras em arte floral? Promoveram um Curso para Floristas! Conclusão: hoje a Estação 446 tem os melhores garçons e floristas, que no depoimento das próprias pessoas- “nem imaginavam que seriam capazes de fazer tão bem!”.

No retorno para São Paulo, me “caiu uma ficha”do tamanho de um trem! A Estação 446 estava melhor a cada dia, crescendo em sua capacidade de atendimento, tanto interno quanto externo! E as pessoas pareciam altamente felizes com esse desenvolvimento! Porque? Qual o segredo?

A ficha que me caiu foi a seguinte: em 1919 (faz 100 anos!), Rudolf Steiner – um filósofo e cientista social de origem austríaca lançou depois da I Grande Guerra um movimento que defendia a necessidade da Trimembração do Organismo Social como condição para o que hoje podemos chamar de Ecologia Social, ou seja, a saúde do Organismo Social (seja este uma Empresa ou empreendimento social, seja este uma comunidade, nação ou sociedade como um todo). Em sua essência (quem quiser saber mais sugiro ler um texto meu denominado “A Dinâmica Básica de Vida Social”, que se encontra no site IMO Brasil), a Trimembração Social diz que todo “tecido social” é feito sempre com 3 fios: a mobilização de capacidades/talentos; a satisfação de necessidades e a estruturação de relações, por meio de acordos/decisões. P.ex. o evento Happy Hour & Gestão, promovido pela Estação 446. Porque pessoas provenientes dos mais diversos lugares (Holambra, Ribeirão Preto, São Paulo, etc.), mais de 60 pessoas, começaram a chegar lá a partir das 17:30? Porque no folder estava escrito que começaria às 18hs (ou seja, seu encontro neste horário, suas relações foram estruturadas a partir disso). Porque ou para que essas pessoas estavam lá? Uns estavam lá mais para o Happy Hour (“comer e beber do bom e do melhor por apenas R$ 40 é bem atrativo!”), outros mais pela Gestão (“alguma coisa de útil para a minha Empresa vou poder aprender”), outros por curiosidade (“Que ideia original! Vou lá conferir!”), etc. Ou seja, cada um veio ali com alguma necessidade que esperava satisfazer naquele evento). Depois vieram os depoimentos interessantíssimos de Thaísa, Batista e integrantes das diferentes UGB’s, a contribuição do Marcelo Balazina (pai do PGLEi - Programa de Gestão, Liderança e Empreendedorismo integrados), enquanto os garçons abasteciam nossos copos com bebidas e nossas mesas com comidas deliciosas). Ou seja, muitas pessoas mobilizaram suas capacidades (as pessoas que compartilharam as suas experiências, o pessoal da cozinha que havia preparado aquelas delícias todas, os garçons que serviam aos presentes, etc.) para atender da melhor forma possível as necessidades de quem tinha vindo.
E quando é que um evento social é bom?

A: quando as necessidades de quem vem são adequadamente satisfeitas (não pude ouvir a avaliação do evento, mas para mim estava ótimo e me mandaram um whatsapp às 22h30 dizendo que “as pessoas não estão querendo ir embora”);

B: quando as capacidades, os talentos de cada pessoa envolvida na realização são mais mobilizadas ( a contribuição da Thaísa, do Batista, do pessoal das UGB’s, do Marcelo e Josefina, foram muito ricas e interessantes, isso sem falar do abastecimento dos copos e das mesas);

C: quando os acordos são efetivamente cumpridos (imagina só se estiver anunciado para começar às 18hs e só começa mesmo às 20hs!)

E aí Rudolf Steiner acabou “matando a charada”: se a vida (ou o tecido) social é sempre feita de 3 fios, na base do florescimento de cada um deles está uma qualidade que é condição fundamental para tal: Liberdade, como condição para a mobilização de capacidades/talentos; Igualdade, como condição para a estruturação de relações com base em acordos realmente sustentáveis; Fraternidade, ou seja, orientação ativa para a necessidade do outro, como condição para a efetiva satisfação de necessidades. O que conhecemos como ideais da Revolução Francesa, são na realidade qualidades que estão na base do florescimento de cada um desses fios ou âmbitos da vida social.

Foi isso que vivenciei na Estação 446, sem que nunca houvessem ouvido falar dessa tal de Trimembração Social, de que falou Rudolf Steiner há um século! O comprometimento dos colaboradores e a sua dedicação ao trabalho era livre, assim como o compartilhamento de conhecimentos buscado e praticado por Batista através dos programas de formação (de Garçons, Floristas e agora do PGLEi, que vai iniciar dia 20.03.19). Fiquei bobo de ver a quantidade de protocolos e procedimentos que haviam desenvolvido para a realização de seu trabalho – todos, como bem disse uma das pessoas das UGB’s, “faziam sentido” (ou seja, não era para atender porque alguém mandou, mas porque “faziam sentido”) e haviam sido formulados em conjunto, com base em Igualdade, e não impostos “de cima para baixo” por quem detém o poder. E todo esse trabalho, todos esses protocolos e acordos, voltados para um único fim: o de buscar satisfazer da melhor forma possível as necessidades de quem procura seus serviços, ou seja: orientação ativa para a necessidade do outro, a Fraternidade.

Por isso mesmo a Estação 446 não pára de crescer, gerando melhores resultados a cada ano!

Adorei estar nesse 1ºHappy Hour & Gestão! E vai aí uma dica: você não vai perder a próxima, vai?

Jos Schoenmaker

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